quarta-feira, 21 de junho de 2017

JOGOS TEATRAIS I (19/04 - 14/06)


Olá galerinha do mal, beleza?
Vocês já pensaram em participar de um programa de auditório? NÓS FIZEMOS ISSO! SIM! AAAAAAA! AO VIVO E A CORES!



Trabalhamos nesses últimos meses com a criação do espetáculo RocaBilly, uma paródia dos programas de auditório que foi apresentado no dia 10/08 no Teatro Municipal de Vila Velha. Com muitas danças, brincadeiras, improvisações e exibição dos nossos trabalhos em vídeo criados durante as aulas de Audiovisual Para Cena.
Para começar, escolhemos primeiro nossos figurinos para intensificar a fantasia do universo televisivo e criar toda a magia retrô que tínhamos em vista. Eu me inspirei num look esportivo bastante utilizado nos anos 80, que era um short curto, faixa na cabeça e meias quase no joelho.



Escolhemos também várias músicas, dentre elas Ragatanga e Onda Onda que foram as escolhidas para os ensaios. Criamos também brincadeiras para entreter o público e  para preencher nosso espetáculo a Shalline teve a ideia da utilização de jingles em acapella. Fizemos uso também de plaquinhas de reação como: "Aplausos", "HAHAHA", "Ohhhh", etc.
Algumas sacadas geniais que tivemos durante os ensaios foi a utilização de uma arma de brinquedo para causar uma reação de espanto durante a escolha do grupo do Roger, outra coisa genial foi a utilização de tortas de chantilly para punir quem tivesse errado as regras de jogo e punir as vezes (quase sempre) nossos atores que estavam jogando.
Outro requisito para a criação dos nossos personagens era que cada jogador precisava de um codinome, uma fala interna e um monólogo interior. Segue abaixo os escolhidos por mim:

Codinome: BolaGato
Monólogo Interior:
- Esse tremor é no meu peito ou são minhas pernas? Eu to muito nervoso! A luz me cega, mas eu preciso acordar. É ISSO QUE EU QUERO. Eu estou realizando meu sonho e eu vou entreter vocês. VAMOS LÁ!
Fala Interna:
PORRA! OLHA EU AQUI! ME NOTA, CRUSH! ESSA LUZ TA MUITO FORTE, MAS EU TO AQUI PRA ISSO! OLHA LÁ, OLHA AQUI, EU SOU MUITO SENSUAL! DEIXA EU REBOLAR A MINHA RABA! FUI!


O espetáculo tinha como intuito, promover nossos jogos de improvisação onde utilizávamos de "QUEM, ONDE E O QUE? & as regras de jogo" e buscávamos durante o jogo uma resolução para o problema exposto. Percebemos também que a improvisação perde seu brilho quando repetida várias vezes, como diria Viola Spolin: "O intuitivo só pode responder no imediato". Apesar de não ter jogado, eu tive uma experiência maravilhosa cuidando da iluminação, era algo com o qual eu nunca havia trabalhado (NÃO É TÃO SIMPLES COMO MUITA GENTE PENSA) e foi muito gratificante me sentir importante para o espetáculo.

"A única coisa que me espera é exatamente o inesperado." (Clarice Lispector)



CORPO I (19/04 - 14/06)






Olá galera! Sou eu novamente
Continuando o assunto Love Fair, dessa vez irei falar sobre as aulas de corpo. Voltadas também para este espetáculo/performance como forma de complementar as partituras vocais e criar um ritual. Para isso foi necessário se trabalhar com as partituras de corpo do cinema mudo, originais e modificadas. Cada grupo escolheu 4 partituras, não precisavam ser de integrantes do grupo, podíamos escolher os passos de outros alunos que não faziam parte do mesmo, a única regra era ensaiar até que os passos tomassem um automatismo. Era necessário também a escrita de falas internas da partitura corporal, para facilitar a memória dos passos.
Como disse Eugênio Barba: um corpo em vida é mais que um corpo que vive. "Um corpo em vida dilata a presença do ator e a percepção do espectador (...) o corpo dilatado é acima de tudo um corpo incandescente, no sentido científico do termo: as partículas que compõem o comportamento cotidiano foram excitadas e produzem mais energia, sofreram um incremento de movimento, separam-se mais, atraem-se com mais força, num espaço mais amplo ou reduzido".

O meu grupo escolheu as seguintes partituras:

♦ Partitura Róger (Original)
- 1, 2
- 1, 2
- 1, cruza, 2
- 1, 2
- 1, 2
- 1, cruza, 2
- Toma esse soco
- E mais esse outro soco
- Toma mais um
- AAAAAAA FUI ATINGIDO


♦ Partitura Phyetra (Transformada)
- Vou fazer uma bolinha de papel
- Mas antes preciso pegar meu chapéu
- Vou colocar uma blusa de frio também
- Deixa eu pegar outra folha
- Meio pesada né?
- Vou fazer outra bolinha e jogar ela no cesto com o bumbum.


♦ Partitura Sophia (Transformada)
- Vamos temperar um pouco
- Será que vai ficar bom?
- Nossa, que gosto diferente.
- Deixa eu provar de novo!
- Será que esse gosto tem som?
- Quero comer de novo!
- Esse barulho...
- UUUUUU VOU GIRAR
- UUUUUU SOU UM PIÃO


♦ Partitura Thaisa (Transformada)
- Que casa imunda.
- Cheia de poeira aqui.
- Aqui também.
- AAAAAA CRIANÇA MALDITA
- Quase que eu esbarro em você.
- Vou limpar outro lugar.


Nenhuma dessas partituras fazia sentido com os poemas que trabalhamos na aula de voz, mas foi realmente essa falta de sentido entre ambos que forçou o imaginário tanto nosso quanto do público em encontrar uma conexão entre ambas as partituras.
Como disse em outra postagem, acredito no sucesso do Love Fair e espero que esse trabalho seja divulgado por muitos outros lugares.


"O homem não tem um corpo separado da alma. Aquilo que chamamos de corpo é a parte da alma que se distingue pelos seus cinco sentidos." (Willian Blake)













domingo, 18 de junho de 2017

VOZ I - (10/04 - 12/06)





Bom dia, boa noite ou boa tarde!
Isso só depende do horário em que você está lendo este blog, caro leitor.
Hoje dou continuidade ao meu blog sobre as aulas de VOZ I do Primeiro Período, porém 
focado no que foi trabalhado na segunda metade do nosso semestre. No dia 08/06/17 apresentamos o espetáculo performativo Love Fair, ao qual trabalhamos com o tema Amor-Desejo-Paixão, visando o efeito dramático que este tema causava na nossa turma. Para a preparação de voz todos nós utilizamos de poemas próprios mesclados com os ViewPoints escolhidos para dar vida a voz. Segundo Anne Bogart os Viewpoints agregam principios que se relacionam e podem auxiliar atores e dançarinos a adquirir mais vivacidade, criação em grupo e presença cênica. Abaixo vocês podem conferir o meu poema com os ViewPoins inclusos:

(Leve) Seu sorriso me (Socando) destrói totalmente por dentro. (Pegando) É egoísta da minha parte (Pesado) querer ser desejado por você? (Deslizando) Quando você não fala comigo, (Rasgando) rasga o meu coração em mil pedaços. (Baixo) Até mesmo a falta do seu abraço (Devagar) me deixa aflito. (Rápido) E você continua indeciso, sem sequer dizer um (Alto) não. (Leve) Isso me deixa confuso, (Quadrado) seria eu outro objeto? (Furando) E quando cansar de brincar, hein? (Pulando) Vai me largar igual os outros? (Círculo) No fim tudo é você! (Rápido) Nesse seu pedestal imundo imaginário, (Socando) que eu mesmo te coloquei. (Devagar) E você se afasta, e você me evita, e você me esquece. (Devagar e Pesado) Me esquece, morto.

No início da criação dos poemas, eu havia feito 4 textos, mas no fim esse foi o escolhido. Eu decidi confrontar o que gerava tensão em mim naquele momento.  Esse texto foi extremamente desafiador para que eu dissesse ele em meio a tantas pessoas presentes, mas esse conflito interno é o que nos faz evoluir como atores e descobrirmos formas de atravessar esse obstáculos emocionais que nos travam.
No espetáculo Love Fair, éramos trinta, trinta pessoas expondo seus sentimentos, medos e desejos sobre o amor, para uma platéia. Foi uma performance emocionante, onde as lágrimas eram apenas a narratividade dos nossos corações. Isso gerou uma poética maravilhosa, onde cada partitura vocal tinha sentido de complementariedade com as partituras de corpo, mesmo que nenhuma delas tivesse ligação. Eu espero que o Love Fair seja apresentado novamente, não só aqui no estado, como no Brasil ou até mesmo fora dele, afinal porque não podemos sonhar alto, né? Espero ter passado para vocês o que foi minha experiência no Love Fair e nas aulas de voz deste período.

“Uma voz não pode transportar a língua e os lábios que lhe deram asas. Deve elevar-se sozinha no éter.” (KAHLIL GIBRAN)




quarta-feira, 19 de abril de 2017

JOGOS TEATRAIS I - (15/03 - 12/04)

Jogos! Eu sinto uma espécie de sentimento ambíguo por essa aula, é uma relação de amor e ódio. Mas não é questão de odiar, e sim de entrar em pânico num palco e não saber absolutamente nada do que fazer. Eu sou péssimo com improvisação. No meu primeiro dia de aula, eu surtei no palco e caí no chão, tentei improvisar com aquilo e acho que no fim deu certo.
Porém algumas coisas me ajudaram a melhorar essa técnica de improvisação, e diminuir o caos interno que eu vivia. Um exemplo de exercício que me ajudou nessa superação é a questão da fala interna, ela consiste em você escrever num papel tudo que seu personagem está pensando naquela situação e isso acaba aumentando sua intimidade com o seu personagem. Você desenvolve ele melhor, você se sente mais seguro na interpretação dele e cria uma fidelidade maior ao que você estava pensando inicialmente. É realmente algo encantador de se fazer, eu no início tinha um pé atras com isso, na minha cabeça se passava a mensagem "isso é coisa de doido", mas somos todos loucos e a loucura é poética pro mundo da arte. Resolvi então testar, e me apaixonei. 
Mudando um pouco de assunto, trabalhamos também com objetos de estranhamento. No primeiro contato eu achei algo conflitante, porque ao mesmo tempo que você está fazendo algum tipo de papel, o objeto de estranhamento acaba tirando um pouco da sua essência e dilui seu personagem á algo que o público pense ser. Por exemplo, em uma apresentação minha, eu era um cirurgião porém estava utilizando orelhas de ET e uma coroa na cabeça. No entender do observador ele vai associar meus objetos á cena e vai achar que eu sou uma Princesa Alienígena Cirurgiã. Eles são objetos que naturalmente não fariam parte da cena, porém quando postos na mesma, forçam o imaginário do espectador. Utilizamos de adereços á figurinos, e até mesmo maquiagens. Um dos grandes nomes no mundo do teatro, que trabalhava com o efeito de estranhamento é Bertold Brecht, um alemão incrível que escreveu e dirigiu peças entre 1918 - 1955, Pina Bausch também é bem conhecida pela utilização de estranhamento em suas peças, falei dela na postagem anterior.
Uma das coisas que mais mexeu comigo, foi a questão da regra de jogo. Ela se baseia em elaborar ações durante a apresentação, que não façam parte da mesma. Não é preciso ter sentido com o "quem, onde e o que". As vezes, as regras costumam não dar muito certo, o que acaba atrapalhando a gente no desenrolar do ato. 

Ninguém alguma vez escreveu ou pintou, esculpiu, modelou, construiu ou inventou senão para sair do inferno.” (Antonin Artaud)

terça-feira, 18 de abril de 2017

CORPO I – (15/03 – 12/04)

Olá novamente, meus queridos leitores, hoje iremos falar sobre as aulas de corpo.
Ah, como eu adoro essa aula! É tão bom você poder trabalhar cada centímetro de ti para o desenvolvimento de algo poético.
Uma das coisas que mais estudamos nesse meio tempo, foi a “partitura física”, da qual deveríamos treinar até que nossos movimentos fossem naturais, próprios da rotina do nosso corpo. É interessante ressaltar, que a partitura física pode sofrer transformação e consequentemente mudar todo o seu sentido. Um exemplo disso foi um exercício feito em aula, onde minha partitura inicialmente era de um operário de uma fábrica vulgo, CC (minha forma carinhosa de chamar o Charles Chaplin) no filme Tempos Modernos & posteriormente com apenas algumas alterações virei um jardineiro psicótico que odiava a natureza.
Embora tenhamos feito extração de partituras apenas do cinema mudo, a partitura física está presente em quase tudo no mundo artístico, porém nos filmes sem áudio ela era feita com maior dilatação justamente para passar a sensação do momento da melhor forma possível ao espectador. Percebe-se isso ao notar que toda ação é feita de forma mais exagerada, á ponto de ser quase caricato.
Outros exercícios legais que praticamos em aula foram o "exercício de dilatação" que consistia em você realizar ações com os braços para um lado e com o corpo para outro (ex. empurrar, torcer, furar) e tivemos também a “ação sobre o outro”, que consistia em você executar alguma ação física sobre o seu companheiro de exercício. Particularmente, eu fiquei extremamente sem graça de realizar essa tarefa, principalmente por estar com um parceiro ao qual eu nunca tive nenhum tipo de contato. Mas o exercício foi fluindo após ter sido feito a troca de colega, e percebi que isso era uma forma de aumentar sua confiança tanto no próximo quanto a sua própria, em questão do exercimento da ação. Um exemplo na arte da ação sobre o outro é a maravilhosa, Pina Bausch, que executou de forma perfeita essa prática na sua obra Cafe Müller como vocês podem conferir no vídeo abaixo:


Pina Bausch é alemã, um ícone no teatro pós dramático, referência na dança-teatro e conhecidíssima por sua utilização de água & areia em palco.

"É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante." (Friedrich Nietzche)


domingo, 9 de abril de 2017

VOZ I - (20/03 - 03/04)

Olá, aprendizes, atores & curiosos.
Neste postagem abordarei o conteúdo das aulas de VOZ I.
Durante as aulas que ocorreram até este momento, diversos temas foram abordados e diversos métodos apresentados. Começarei pelas diferentes formas de se emitir um som, até mesmo o ruído é considerado, e todas as pessoas possuem singularidade na execução dos mesmos. É o caso do View Point, você lê o seu texto como se sua voz estivesse realizando uma ação física. Por exemplo: "Socar com a voz", você pode não ter noção de como isso ocorre a principio, mas a ideia é a alteração da voz em função da ação exercida que remete a percepção de ação física, mesmo que nenhum movimento corporal seja realizado. É uma espécie de simulação de uma ação executada pela voz, onde a intenção do interlocutor é transmitir uma sensação mais próxima da realidade que se deseja alcançar pelo receptor.
Outro assunto tratado em aula é a “voz extra-cotidiana”, que tem como intuito um estranhamento formal, uma alteração ou deformidade daquilo que seria comum. Podemos citar como exemplo a questão do sotaque de outros países, que para nós seria um tipo de voz extra-cotidiana, algo divergente do que estamos acostumados no dia-a-dia.
Cada pessoa tem uma percepção diferente de como seria uma ação vocal, não existe "som correto", o que denota a singularidade e intensidade do autor da ação, criando assim algo único e particular. Temos então como resultante um leque diverso de possibilidades para a utilização, modificação e impostação da voz.
Um exemplo de exercício vocal podemos conferir no vídeo abaixo, onde no "Odin Teatret" de Eugênio Barba é representado através de diversos movimentos a fim de encontrar a melhor sonoridade, utilizando-se da ressonância corporal. Eugênio Barba é um teórico italiano da antropologia teatral, formado em Literatura Norueguesa, Francês e História da Religião pela Universidade de Oslo. As diversas representações criadas por este nos dão ideia de como os exercícios de corpo são importantes para o aperfeiçoamento da performance vocal.





"Não há dúvidas que a expiração conduza a voz. Não há dúvidas que seja uma ação material, não metafórica ou sutil. Mas para conduzir a voz, a expiração deve ser orgânica e aberta." (Jerzy Grotowski, Texto: A voz - Conferência para estagiários estrangeiros do Teatro Laboratório em maio 1969)