Neste postagem abordarei o conteúdo das aulas de VOZ I.
Durante as aulas que ocorreram até este momento, diversos temas foram abordados e diversos métodos apresentados. Começarei pelas diferentes formas de se emitir um som, até mesmo o ruído é considerado, e todas as pessoas possuem singularidade na execução dos mesmos. É o caso do View Point, você lê o seu texto como se sua voz estivesse realizando uma ação física. Por exemplo: "Socar com a voz", você pode não ter noção de como isso ocorre a principio, mas a ideia é a alteração da voz em função da ação exercida que remete a percepção de ação física, mesmo que nenhum movimento corporal seja realizado. É uma espécie de simulação de uma ação executada pela voz, onde a intenção do interlocutor é transmitir uma sensação mais próxima da realidade que se deseja alcançar pelo receptor.
Outro assunto tratado em aula é a “voz extra-cotidiana”, que tem como intuito um estranhamento formal, uma alteração ou deformidade daquilo que seria comum. Podemos citar como exemplo a questão do sotaque de outros países, que para nós seria um tipo de voz extra-cotidiana, algo divergente do que estamos acostumados no dia-a-dia.
Cada pessoa tem uma percepção diferente de como seria uma ação vocal, não existe "som correto", o que denota a singularidade e intensidade do autor da ação, criando assim algo único e particular. Temos então como resultante um leque diverso de possibilidades para a utilização, modificação e impostação da voz.
Um exemplo de exercício vocal podemos conferir no vídeo abaixo, onde no "Odin Teatret" de Eugênio Barba é representado através de diversos movimentos a fim de encontrar a melhor sonoridade, utilizando-se da ressonância corporal. Eugênio Barba é um teórico italiano da antropologia teatral, formado em Literatura Norueguesa, Francês e História da Religião pela Universidade de Oslo. As diversas representações criadas por este nos dão ideia de como os exercícios de corpo são importantes para o aperfeiçoamento da performance vocal.
"Não há dúvidas que a expiração conduza a voz. Não há dúvidas que seja uma ação material, não metafórica ou sutil. Mas para conduzir a voz, a expiração deve ser orgânica e aberta." (Jerzy Grotowski, Texto: A voz - Conferência para estagiários estrangeiros do Teatro Laboratório em maio 1969)
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