Porém algumas coisas me ajudaram a melhorar essa técnica de improvisação, e diminuir o caos interno que eu vivia. Um exemplo de exercício que me ajudou nessa superação é a questão da fala interna, ela consiste em você escrever num papel tudo que seu personagem está pensando naquela situação e isso acaba aumentando sua intimidade com o seu personagem. Você desenvolve ele melhor, você se sente mais seguro na interpretação dele e cria uma fidelidade maior ao que você estava pensando inicialmente. É realmente algo encantador de se fazer, eu no início tinha um pé atras com isso, na minha cabeça se passava a mensagem "isso é coisa de doido", mas somos todos loucos e a loucura é poética pro mundo da arte. Resolvi então testar, e me apaixonei.
Mudando um pouco de assunto, trabalhamos também com objetos de estranhamento. No primeiro contato eu achei algo conflitante, porque ao mesmo tempo que você está fazendo algum tipo de papel, o objeto de estranhamento acaba tirando um pouco da sua essência e dilui seu personagem á algo que o público pense ser. Por exemplo, em uma apresentação minha, eu era um cirurgião porém estava utilizando orelhas de ET e uma coroa na cabeça. No entender do observador ele vai associar meus objetos á cena e vai achar que eu sou uma Princesa Alienígena Cirurgiã. Eles são objetos que naturalmente não fariam parte da cena, porém quando postos na mesma, forçam o imaginário do espectador. Utilizamos de adereços á figurinos, e até mesmo maquiagens. Um dos grandes nomes no mundo do teatro, que trabalhava com o efeito de estranhamento é Bertold Brecht, um alemão incrível que escreveu e dirigiu peças entre 1918 - 1955, Pina Bausch também é bem conhecida pela utilização de estranhamento em suas peças, falei dela na postagem anterior.
Uma das coisas que mais mexeu comigo, foi a questão da regra de jogo. Ela se baseia em elaborar ações durante a apresentação, que não façam parte da mesma. Não é preciso ter sentido com o "quem, onde e o que". As vezes, as regras costumam não dar muito certo, o que acaba atrapalhando a gente no desenrolar do ato.
“Ninguém alguma vez escreveu ou pintou, esculpiu, modelou, construiu ou inventou senão para sair do inferno.” (Antonin Artaud)
Nenhum comentário:
Postar um comentário