Olá galera! Sou eu novamente
Continuando o assunto Love Fair, dessa vez irei falar sobre as aulas de corpo. Voltadas também para este espetáculo/performance como forma de complementar as partituras vocais e criar um ritual. Para isso foi necessário se trabalhar com as partituras de corpo do cinema mudo, originais e modificadas. Cada grupo escolheu 4 partituras, não precisavam ser de integrantes do grupo, podíamos escolher os passos de outros alunos que não faziam parte do mesmo, a única regra era ensaiar até que os passos tomassem um automatismo. Era necessário também a escrita de falas internas da partitura corporal, para facilitar a memória dos passos.
Como disse Eugênio Barba: um corpo em vida é mais que um corpo que vive. "Um corpo em vida dilata a presença do ator e a percepção do espectador (...) o corpo dilatado é acima de tudo um corpo incandescente, no sentido científico do termo: as partículas que compõem o comportamento cotidiano foram excitadas e produzem mais energia, sofreram um incremento de movimento, separam-se mais, atraem-se com mais força, num espaço mais amplo ou reduzido".
O meu grupo escolheu as seguintes partituras:
♦ Partitura Róger (Original)
- 1, 2
- 1, 2
- 1, cruza, 2
- 1, 2
- 1, 2
- 1, cruza, 2
- Toma esse soco
- E mais esse outro soco
- Toma mais um
- AAAAAAA FUI ATINGIDO
♦ Partitura Phyetra (Transformada)
- Vou fazer uma bolinha de papel
- Mas antes preciso pegar meu chapéu
- Vou colocar uma blusa de frio também
- Deixa eu pegar outra folha
- Meio pesada né?
- Vou fazer outra bolinha e jogar ela no cesto com o bumbum.
♦ Partitura Sophia (Transformada)
- Vamos temperar um pouco
- Será que vai ficar bom?
- Nossa, que gosto diferente.
- Deixa eu provar de novo!
- Será que esse gosto tem som?
- Quero comer de novo!
- Esse barulho...
- UUUUUU VOU GIRAR
- UUUUUU SOU UM PIÃO
♦ Partitura Thaisa (Transformada)
- Que casa imunda.
- Cheia de poeira aqui.
- Aqui também.
- AAAAAA CRIANÇA MALDITA
- Quase que eu esbarro em você.
- Vou limpar outro lugar.
Nenhuma dessas partituras fazia sentido com os poemas que trabalhamos na aula de voz, mas foi realmente essa falta de sentido entre ambos que forçou o imaginário tanto nosso quanto do público em encontrar uma conexão entre ambas as partituras.
Como disse em outra postagem, acredito no sucesso do Love Fair e espero que esse trabalho seja divulgado por muitos outros lugares.
"O homem não tem um corpo separado da alma. Aquilo que chamamos de corpo é a parte da alma que se distingue pelos seus cinco sentidos." (Willian Blake)

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